Comunicação e educação
juntas, uma necessidade.
Quando chega à sala de aula, ou a qualquer
outro espaço da educação
formal ou informal, a criança e o adolescente
trazem impregnados no seu comportamento consideráveis
resquícios do consumo de mídia
a que estão expostos no dia-a-dia. Desconsiderar,
ignorar ou pior, desqualificar tamanho consumo
desse tipo de produto cultural-popular são
atitudes não raras de se encontrar nos
mais variados tipos de ambientes educacionais.
Por outro lado, são cada vez mais comuns
as iniciativas que procuram seguir as tendências
de integrar as experiências e influências
midiáticas às praticas didáticas
e pedagógicas. Conceitos ligados a esta
área, hoje bastante conhecida como Educomunicação,
não são exatamente novos. Já
na década de 30 Janusz Korczak procurava
aplicar muitos desses conceitos, hoje em dia
tidos como revolucionários. Hoje em dia,
projetos e iniciativas tidos como educomunicativos
espalham-se pelo Brasil e pelo mundo. Recentemente,
um dos projetos de maior destaque, tendo inclusive
ampla repercussão internacional, foi
o projeto Educom.Rádio, desenvolvido
entre 2001 e 2004 pelo Núcleo de Comunicação
e Educação da ECA-USP. Através
da produção de programas de rádio,
quase 12 mil pessoas, entre pais, alunos e educadores,
foram capacitados para a recepção
crítica dos meios de comunicação,
a mediação tecnológica
em espaços educativos, a expressão
comunicativa através das artes e gestão
da comunicação em espaços
educativos. Projetos bastante similares também
ocorreram em diversos âmbitos. ONGs, como
a Cidade Escola Aprendiz, a Fundação
Roberto Marinho e o Instituto Ayrton Senna também
voltam cada vez mais seu foco para projetos
que procuram contemplar conceitos educomunicativos.
Entre as escolas brasileiras que adotaram tais
práticas em seu currículo, o Colégio
Bandeirantes destaca-se pelo pioneirismo.
Os resultados são surpreendentes. Os
educadores que começam a vivenciar de
forma estruturada, programada e embasada a educomunicação
em seus ambientes educacionais começam
a perceber que incluir meios de comunicação
que vão além dos livros ajuda
a despertar crianças e adolescentes e
descobrir novas competências. Inteligências
lingüísticas, corporais e interpessoais
costumam ser as mais desenvolvidas, e muitas
vezes em pessoas cujo potencial raramente seria
descoberto em um ambiente mais tradicionalista.
A Agência Judaica, através do
Departamento de Educação, também
segue as novas tendências educacionais
e mantém em funcionamento uma Central
de Tecnologia Educativa. Funcionando dentro
da estrutura do Eitan de São Paulo, a
central vai muito além de uma simples
“sala de edição”.
Tecnicamente equipada para suprir diversas demandas
educacionais através de meios de comunicação,
a Central procura aproximar o mundo das notícias,
da cultura, do entretenimento e da linguagem
informal das práticas educativas de escolas
e tnuót. Com potencial de desenvolvimento
de diversos projetos, já estão
programadas para 2005, dentro do calendário
do Eitan, diversas atividades nesse sentido,
sempre procurando ir além da simples
técnica, mas o que é mais importante,
efetivamente educar através dos meios,
seja através da produção
de mídia, seja através da educação
para os meios.
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